Veja o artigo abaixo

Atualize-se com conteúdos exclusivos sobre a vida acadêmica e ministerial da FATEV.

BOM SAMARITANO, MAS POR QUE BOM SAMARITANO?

Será que conseguimos olhar para o texto que popularizou essa expressão “Bom Samaritano”, e identificar que: sim! o samaritano foi bom, mas quem narra essa parábola não o chama de bom.

O texto onde se origina a expressão Bom Samaritano, é localizado na Bíblia Sagrada no Evangelho de Jesus, que foi redigido por Lucas, no capítulo 10, dos versos 25 a 37 (cf. Lc. 10.25-37).

De onde surge na Bíblia o “Bom Samaritano”?

 

Biblie Works. V. 10.0

 

A Bíblia Sagrada que temos em mãos, online ou impressa, originalmente não era nesse formato. Os textos eram um bloco só, em rolos, e, não havia divisão em capítulos e nem em versículos.

Com o passar do tempo houve a grande necessidade de se identificar com facilidade e rapidez as passagens dos textos sagrados. Deste modo, no século 13 o Dr. Stephen Langton, professor na Universidade de Paris, na França, fez a divisão capitular da Bíblia, a qual usamos hoje.

 

Langton https://en.wikipedia.org/wiki/Stephen_Langton

 

Uma vez com os capítulos definidos, houve-se então a percepção da necessidade da identificação dos textos em blocos menores. Assim, 300 anos mais tarde, no século 16, o Dr. Robert Estienne, fez a divisão versicular do Novo Testamento.

 

Robert Estienne https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Estienne

 

Ambas iniciativas, de Lagton e Estienne, já eram aquecidas por outras tentativas, que nortearam o trabalho deles, mas, foram eles que protagonizaram a divisão Bíblica em capítulos e versículos que temos hoje.

Para além disso, com o processo de impressão da Bíblia Sagrada e, com a intenção de ajudar o leitor a entender a Divina Escritura, foi acrescentado a divisão por perícopes, que são os recortes do texto por assunto, as quais foram sendo nomeadas, uma vez que já havia a delimitação capitular e versicular.

Assim, cada tradutor ou mesmo editora, passa então a colocar nestas perícopes bíblicas os títulos. E, quando foram nomear, a passagem que estamos analisando, neste processo nasce a expressão “O Bom Samaritano”, ou “A parábola do Bom Samaritano”.

É importante percebermos que os títulos, e até mesmo as divisões não são inspiradas, e sim o texto. Contudo, feliz quem usou essa expressão “Bom Samaritano” para designar tanto a passagem, ou, quanto o personagem.

O fato é que nos dias de hoje essa expressão o “Bom Samaritano” é entendida como solidariedade, bondade, empatia ao próximo, ao ponto que ultrapassa a barreira da abordagem cristã.

 

Inclusive a ONG Humanitária da Associação Evangelística Billy Graham se chama Samaritan’s Purse (cf. https://www.samaritanspurse.org/), que em um tradução mais literal pode ser entendida, como: “A Bolsa do Samaritano”, analogicamente a este texto de Lucas 10.

 

No contexto do texto de o “Bom Samaritano” os preconceitos são desafiados, mostrando que qualquer pessoa pode agir com um coração humanitário, mesmo aqueles a quem nunca imaginaríamos.

 

Em busca da realidade do Bom Samaritano

Daqui em diante, na clareza dessa passagem, vamos juntos, notar detalhes neste texto referenciado, que é uma perícope de 13 versus, do evangelho escrito por Lucas.

No capítulo 10, verso 25, começa um diálogo entre o doutor da lei e Jesus.
Esse doutor da lei com intenções astutas pergunta a Jesus: – Mestre, que devo fazer para ter a vida eterna?

Jesus, com sua tenra sabedoria, o responde fazendo-lhe outras duas perguntas: O que está escrito na lei? Como tu a vês?

A resposta dele a Jesus é:

“Amarás  o Senhor teu Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com todo o entendimento, e o teu próximo com a ti mesmo.”(v. 27)

E, Jesus com sua incrível objetividade lhe diz: – Pois bem, respondeste certo; faze isso e viverás.

Então, esse doutor da lei, querendo se auto justificar, pergunta a Jesus: “ – Mas quem é o meu próximo?”

A partir do verso 30, Jesus em sua inteligência inalcançável começa a contar uma parábola, da seguinte maneira

UM HOMEM DESCIA DE JERUSALÉM PARA JERICÓ, e caiu na mão de assaltantes, que o roubaram e, depois de espancá-lo, foram embora deixando-o quase morto.
Por um acaso, um sacerdote descia pelo mesmo caminho e, vendo-o, passou longe.

De igual modo, também um levita chegou àquele lugar e, quando o viu, passou longe.

MAS UM SAMARITANO, que ia de viagem, aproximou-se e, vendo-o, encheu-se de compaixão;

E chegou perto dele, enfaixando suas feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre sua própria montaria, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele.

No dia seguinte, pegou dois denários, entregou-os ao hospedeiro e disse: Cuida dele; quando voltar, te pagarei tudo o que gastares a mais.

 

Então, Jesus depois de contar essa parábola, pergunta ao doutor da lei: “- Qual destes três te parece ter sido o próximo do que caiu na mão dos assaltantes?

Ele responde a Jesus o seguinte: “- Aquele que teve misericórdia dele.”

E, Jesus lhe diz: “ – vai e faz o mesmo.”

Entre infinitas possibilidades de abordagens, os dois detalhes que vamos atentar são: a. um homem descia de Jerusalém a Jericó (v. 30); e, b. mas um samaritano (v. 33). Vamos analisar.

Um homem descia de Jerusalém a Jericó (v. 30).

 

 

No contexto da sociedade atual há algumas expressões científicas de viés geopolítico e teológico a respeito de Jerusalém, como “Jerusalém é o relógio escatolgoico do mundo”, “Jerusalém é capital espiritual do mundo”.

Mesmo sendo um texto milenar, ao observar os escritos bíblicos como um todo, é nítido a centralidade espiritual na cidade Santa de Jerusalém. Na perspectiva Bíblica Jerusalém é a cidade de Deus (cf. Salmos 87.1-2, 122.6-7).  O Salmo 48, versus 1 a 3 afirma:

“Grande é o Senhor e muito digno de louvor, na cidade de nosso Deus, em seu santo monte. O monte Sião, o santo monte, é alto e magnifico, toda a terra se alegra em vê-lo; é a cidade do grande Rei. O próprio Deus está em suas torres e se revela como seu protetor.”

Neste versículo escrito por Lucas, muitas vezes ouvindo pregações, e até mesmo lendo-o repetidas vezes, não nos atentamos para esse detalhe tão importante; que o texto quer nos dizer com esta informação geográfica, que pode ser: ao nos afastarmos de Jerusalém, sofreremos danos.

A clareza dessa informação é assegurada quando observamos as palavras que o texto expressa, com o que aconteceu com esse homem ao se afastar de Jerusalém.

Vejamos, de maneira enumerada:

“Um homem descia de Jerusalém para Jericó,

  • e caiu na mão de assaltantes,
  • que o roubaram e,
  • depois de espancá-lo,
  • foram embora, (simplesmente o largaram a Deus dará);
  • Deixando-o quase morto.”

Atentarmos para este detalhe, é uma aproximação para uma realidade de nossos dias.

Todos nós temos que pelo menos uma vez na vida irmos a Jerusalém. Não de maneira literal, mas sim espiritual, e, reconhecermos que é de Jerusalém que vem a maior dádiva de nossas vidas.

De um lugar, da cidade de Jerusalém, chamado Monte Gólgota, emana desde a crucificação de Jesus o amor de Deus, que cobre a multidão de nossos pecados.

E, assim, nunca devemos nos afastar de Jerusalém, na condição de jamais nos esquecermos, que esta cidade é o lugar onde aconteceu o ato de perdão de nossos pecados, o qual nos reconcilia com Deus.

 

Mas um samaritano (v. 33).

Há uma possibilidade enorme de impacto, a primeira vez que se recebe essa informação de que no texto bíblico não tem essa expressão o “Bom Samaritano”, e sim que essa expressão se trata de um acréscimo posterior, não inspirado.

O texto em momento algum o trata ou o chama  de  “O Bom Samaritano”.

Jesus o chama de apenas de samaritano. E, não se refere mais a ele, mas segue falando de seus atos (cf. v. 33-35). E, o doutor da lei nem o chama de samaritano, apenas o identifica por seus atos (cf. v. 37).

Pois, esse doutor da lei, percebia todos os samaritanos como pessoas desprezadas por causa de sua raça, reputando a elas como hereges religiosas, pagãs, bárbaras.

E, Jesus sabendo disso, coloca na história um homem samaritano como justamente aquele que se mostrou compassivo e que parou para socorrer a vítima.

Com essa cristalinidade do texto em mente, indaga-se: será mesmo que esse homem é um bom samaritano? De fato, os seus atos o mostram como tal.

Mas, por que o texto não dá ênfase nisso? Será que fazer o que se deve fazer, é mesmo algo extraordinário? Não deveria ser, pelo menos é o que o texto nos induz.

Este incômodo, não consiste em diminuir esse samaritano e nem suas ações. Mas, sim, refletirmos o quanto nossos corações estão ou não se conectando com a dor do outro.

Em fevereiro de 2023, iniciou a guerra entre Ucrânia e Rússia, e os meios de comunicação em massa começaram a mostrar muitas imagens dos bombardeios russos. E, havia uma indignação geral por isso.

As imagens mostravam os tanques por terra e jatos aéreos russo entrando em áreas residenciais bombardeando com mísseis casas populares, condomínios e residências. Existe uma forte noção em cada pessoa do quanto é difícil estabelecer a conquista de uma casa, e as imagens mostravam tudo indo pros ares em questão de segundo.
Passou um, dois, três meses, e essas imagens já tinham cauterizado a mente de todos e já não era mais ofensivo ver isso, como no início.

De alguma maneira como sociedade estávamos nos tornando esse levita e sacerdote do texto.

 

 

Extraido desse site https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2024/07/08/varias-pessoas-ficam-presas-sob-os-escombros-de-hospital-pediatrico-bombardeado-em-kiev-ucrania.ghtml

 

Eis, aqui o que esse texto nos eleva de nível, não podemos encarar o que deve ser feito como algo extraordinário, e sim fazer o que tem que ser feito, como fazer o bem ao próximo, sendo algo cotidiano para nós.

Independentemente de quem tenhamos que ajudar, ou, independentemente de quem tenhamos que receber ajuda.

Pois assim, de fato, estaremos com as mãos na massa, para construirmos um mundo melhor a todos.

Você sabia que a FATEV atua como o “Bom Samaritano”? Acesse o link e veja mais sobre o O verdadeiro amor que gera movimento e exige responsabilidade

https://fatev.edu.br/o-verdadeiro-amor-gera-movimento-e-exige-responsabilidade/

 

Fica aqui uma dica

Bob Nelson, é um autor contemporâneo que  nos inspira a fazer o que tem que ser feito.

Em seu livro  “Faça o que tem que ser feito e não apenas o que lhe pedem”, ele transmite uma mensagem poderosa, pois aqueles que fazem o que tem que ser feito, registram uma marca pessoal de excelência.

Esta é uma postura que o autor nos desafia a adotar para crescer e realizarmos em qualquer área da vida.

Com exemplos claros e concretos, o livro vai te mostrar as diversas iniciativas que você pode tomar para ser reconhecido como alguém que “faz as coisas acontecerem”.

 

Link para compra do livro https://www.amazon.com.br/Fa%C3%A7a-que-Tem-Ser-Feito/dp/8575420496

 

Concluindo

Que não nos afastemos de Jerusalém, em um esquecimento daquilo que aconteceu com Jesus, sendo nesta cidade o local de sua morte e ressurreição.

Para que eternamente não soframos como este homem que um dia simplesmente decidiu se afastar de Jerusalém em direção a Jericó.

E, o mais importante, que possamos seguir o exemplo desse samaritano, sem a intenção de chamarmos atenção, e, nem muito menos queremos o título de “bom” para aquilo que fizermos de certo, sendo o que simplesmente o correto que deva se fazer.

Deixe para as próximas gerações feitos dos dias presentes, que ao serem lembrados por elas possam nos dar o título de  “Bons Samaritanos”.

Referências

5 lições valiosas da parábola do bom samaritano (Estudo Bíblico). Disponivel em https://www.bibliaon.com/licoes_da_parabola_do_bom_samaritano/#:~:text=A%20par%C3%A1bola%20do

%20bom%20samaritano,aquelas%20de%20quem%20menos%20esperamos.

 

Com Carinho
Professor Kemuel Andrade

No verão de 2025